Disclosure Day
Já que o tema UFOs está sendo levado a sério... vou levá-lo a sério!
Ufologia - ou devemos agora falar Uapologia? - é um tema que está na moda.
Primeiro, Trump começa a revelar arquivos ultrassecretos com imagens bombásticas como esta:
Ou esta, muito mais impressionante:
Depois, novos trailers do filme Disclosure Day, de Steven Spielberg, são disponibilizados - e vemos ali uma estranha mescla metalinguística entre ficção e realidade, com o próprio Spielberg aparecendo para dizer: “I’m much more inclined now than I was when I made Close Encounters to really beleve that we’re not the only intelligent civilization in the universe”:
[O filme, aliás, entra em cartaz amanhã, 11/06. Ainda não assisti.]
Por fim, o cuidador de animais, influencer e morador da zona rural paranaense Mayk Leão fez há poucos dias alguns vídeos que captam imagens estranhas de uma suposta nave espacial brilhante pousada em montanhas não muito distantes de Curitiba:

Mayk fez o seguinte desenho do que viu, quando o objeto passou mais perto de sua casa:
[Aparentemente, agora a narrativa mais forte é no sentido de que as luzes vistas por Mayk seriam de uma chácara ali nas proximidades. Pode ser. Neste caso, porém, o desenho acima teria sido uma mentira do Mayk. Pode ser também. Mas, para mim, o caso segue estranho.]
E o mais curioso é o seguinte: navegando pelo Google Earth nas proximidades, é de fato possível ver um estranho objeto nas matas paranaenses que se parecem, e muito, com o desenho de Mayk:
Aqui as coodenadas aproximadas, a quem interessar possa:
Esses são os fatos.
De algum tempo para cá, a abordagem midiática relativa a fenômenos ufológicos foi radicalmente transformada. O que era relegado a teóricos da conspiração ou grupos new age específicos de repente passou a ser tomado com seriedade nas grandes mídias. Aparentemente, um grande sinal da mudança de paradigma ocorreu em 2017: uma reportagem de capa do New York Times, assinado pela jornalista Leslie Kean (voltarei a falar dela adiante) e intitulada ‘Glowing Auras and “Black Money”: the Pentagon’s Mysterious U.F.O. Program’, tratava do tema com uma seriedade absolutamente inédita.
O próprio termo UFO, próprio à antiga era e portanto ridicularizado, foi substituído por um termo novo, sem o estigma do anterior: UAP.
A mudança de UFO para UAP sinalizou uma mudança muito mais profunda: agora, aquilo deveria começar a ser levado a sério.

Difícil dizer se algo como um disclosure day da vida real está mesmo para acontecer. Talvez esteja. Mas não há dúvida de que o terreno está sendo preparado para isso - nem que seja para testar a receptividade da população a tais ideias, mesmo que o disclosure propriamente dito siga como uma espécie de promessa não realizada.
Veja-se, como exemplo da seriedade com que o tema vem sendo tratado, este evento recente promovido pelo Ralph Bunche Institute for International Studies da City University of New York, cuja palestrante foi a jornalista Leslie Kean (falarei mais sobre ela adiante):
Como o tema vem sendo levado a sério, quero levá-lo mesmo com seriedade aqui. E o que mais me interessa é o campo da disputa de narrativas. É uma disputa que já está acontecendo, e creio que um grande discernimento nos será exigido a depender dos rumos que tudo isso venha a tomar.
Há duas narrativas centrais e duas narrativas periférias em temas ufológicos - todas elas partindo do pressuposto de que exitem, sim, fenômenos inexplicáveis reais, e nem tudo pode ser reduzido a meros fenômenos naturais, hoaxes ou alucinações coletivas.
A primeira narrativa central: UFOs são de fato naves vindas de outros planetas, cuja civilização evoluiu tecnologicamente a ponto de conseguir atravessar enormes distâncias. É a versão mais óbvia e é a versão defendida pelo próprio Spielberg.
A segunda narrativa central: UFOs são manifestações diabólicas. É a versão, por exemplo, de um cristão como o vice-presidente norte-americano J. D. Vence.

A primeira narrativa periférica: UFOs não vêm de outros planetas, mas de outras dimensões. Trata-se de fenômenos interdimensionais. Jacques Vallée, talvez o maior expoente da Ufologia em todos os tempos, acreditava nisso, por ver grande semelhança entre aparições de supostos extraterrestres e outras aparições, em séculos anteriores, que eram tomadas como fenômenos espirituais/religiosos. Em todos os casos, são aparições breves e instáveis, que desafiam as leis da física, e ao mesmo tempo com potencial de exercer enorme poder sobre quem as testemunha.
4. A segunda narrativa periférica: UFOs são tecnologias humanas mantidas em sigilo. Neste caso, trata-se de realidades puramente materiais, mas que os grandes donos do mundo, por razões que os conspiracionistas bem exploram, preferiram não revelar ao grande público, ao menos por ora.
Claro que, neste tema, há mais uma infinidade de narrativas adicionais. Mas creio que as quatro acima sejam as mais importantes.
Quero tentar ser aqui o mais aberto que consigo ao dar minha opinião sobre cada uma das narrativas.
De cara, afirmo com convicção que a primeira narrativa - e que se trata sem dúvida da narrativa dominante, segundo a qual são homenzinhos vindos fisicamente dos confins do universo - é, sem qualquer dúvida, a mais frágil.
Parece-me uma narrativa baseada em um materialismo grosseiro - pouco além disso. Tudo um tanto óbvio, aliás. Olhemos para a história recente do mundo. A humanidade de todos os tempos teve, como tônica absolutamente constante, a abertura a dimensões outras da existência. De repente, vem o progresso científico, o secularismo, o materialismo. O cosmos se dessacraliza. De repente, vivemos em um mundo desencantado. Mas fenômenos estranhos seguem acontecendo. Qual, então, a solução? Dizer que não vêm de alguma dimensão de profundo mistério, mas apenas de algum lugar muito longe. Um maneira esquisita, mas previsível, de o inconsciente voltar a dar alguma cor a um cosmos espiritualmente morto.
Não estou dizendo que não há civilizações materiais incríveis por aí. Provavelmente há. Possivelmente muitas: o universo é algo cujo tamanho eu não sou capaz de começar a tentar imaginar.
[Este e outros vídeos legais estão no site do Observatório do Vaticano: https://www.vaticanobservatory.org/sacred-space-astronomy/the-scale-of-the-universe/]
Mas este é exatamente o ponto: o universo é um negócio absurdamente gigantesco. As distâncias entre sistemas estelares são inacreditavelmente grandes. Claro que há teorias científicas que defendem a plausibilidade, mesmo que muito remota, de tecnologias avançadíssimas que permitiriam a naves tripuladas romper a barreira de distâncias imensuráveis - mas tudo em terreno muito especulativo para ser levado tomado com exagerada seriedade.
E um princípio ufológico - e científico - bem conhecido é: se há diversas explicações possíveis para determinado fenômeno, devemos começar pelas menos improváveis. Neste caso, a hipótese de civilizações tecnologicamente avançadíssimas que resolveram - sabe-se lá por qual razão - vir à Terra e ficar aqui nos rondando por séculos é, de longe, a mais improvável.
Sigamos com o materialismo, passando à quarta narrativa: são tecnologias humanas mantidas sob sigilo.
Aqui parece que temos uma boa narrativa, mas que explica apenas parcialmente os fenômenos ufológicos. É muitíssimo menos improvável que humanos tenham desenvolvido tecnologias assombrosas e as mantido sob sigilo do que extraterrestres hiper-tecnológicos terem saído do conforto de seus lares hiper-tecnológicos para ficarem rondando este planetinha cuja humanidade é ainda tecnologicamente rudimentar.
Voltemos aqui ao caso do Mayk - não como prova de coisa alguma, mas como exercício. Talvez fossem luzes de uma chácara e talvez o desenho seja fantasia. Mas talvez não. E, neste nosso exercício, proponho que tenhamos, como pressuposto: (i) que os relatos de Mayk são 100% sinceros; (ii) que aquelas luzes não vinham de chácara ou coisa do tipo; e (iii) que o objeto visível no Google Earth é o mesmo que Mayk desenhou.
Relembremos seu desenho:
E eis a imagem no Google Earth:
A imagem acima é de 2023. Isso significa que, por ao menos três anos, esses objetos estão por lá - ou ao menos vão e voltam.
Vejam que não estamos diante de fenômenos que correspondem à descrição de Vallée. Não são objetos instáveis, que desafiam as leis da física. Mayk narra que o objeto sobrevoou sua residência e voou para o alto. Uma tecnologia avançada, sem qualquer dúvida. Mas ainda é extremamente provável que se trate de tecnologia humana, material - a ponto de poder ser capturada pelas lentes do Google Earth e de se parecer bastante com tecnologias que conhecemos.
Caso de fato algo como um disclosure day venha a ocorrer, este me parece o primeiro, e mais óbvio, nível de discernimento. Naves de altíssima tecnologia, mas feitas de matéria comum, por mais magníficas que sejam suas luzes e por mais impressionantes que sejam sua velocidade e sua capacidade de manobras, devem ser tomadas como construções humanas até forte evidência noutro sentido.
A quarta narrativa, enfim, me parece parte importantíssima do quebra-cabeças. Se o caso Mayk Leão não se resolver por outros caminhos (luzes de chácara etc.), acredito que deverá ser resolvido por aqui. Mas a quarta narrativa não resolve tudo: muitos relatos ufológicos são muito menos materiais, e muito mais misteriosos, do que o caso de Mayk.
Os casos de maior mistério somente podem ser respondidos pelas duas outras teorias - as duas, claro, que se abrem a outras dimensões da existência.
A narrativa cristã dominante, como visto, é aquela exposta por J. D. Vence: são demônios.
Parece-me que há uma intuição correta aqui. De fato, excluídos os casos de tecnologia humana - ou seja: quando os fenômenos apresentam traços estranhos, instabilidade, desafio às leis da física, misteriosa capacidade de sugestão e influência etc. -, a investigação mais prudente deve sair do plano físico em direção a outros planos da existência.
O problema, nesta leitura cristã, está em sua simplificação excessiva.
Jacques Vallée, na terceira narrativa que apresentei acima, também simplifica as coisas, mas por outro lado. Se o cristão tende a rotular como demoníaco, Vallée coloca no mesmo barco - como visto acima - os relatos de abdução por seres estranhos e aparições repletas de conteúdos religiosos significativos como a de Fátima.
É justamente aqui que toda essa conversa sobre extraterrestres me parece trazer seu mais valioso potencial: reabrir investigações sobre dimensões sutis da existência - o que, por diferentes razões, tanto o cristão quanto o materialista se recusam a fazer: o primeiro por medo, o segundo por fechar-se ab initio ao que não é material.
No Cristianismo, a mais conhecida e didática descrição de outros mundos parece estar em Pseudo-Dionísio, na obra Da Hierarquia Celeste. Ali lemos:
Quais e quantas são as ordens desses seres que vivem no Céu? Como é que cada hierarquia recebe a sua consagração ou o seu aperfeiçoamento? Afirmo que apenas o Princípio Divino poderia responder exatamente a essas questões. Mas os seres angélicos não ignoram nem as qualidades que lhes são próprias, nem a hierarquia sagrada que os rege e que não pertence a este mundo. É impossível conhecermos os segredos das inteligências que vivem no céu, a menos que Deus nos revele por intermédio dessas mesmas inteligências, as quais não ignoram a sua própria natureza. Portanto, não faremos nada de nossa própria autoria e nos contentaremos em expor na medida dos nossos conhecimentos essas visões angélicas, tal como os santos teólogos as contemplam e tal como eles a nós revelaram. Os seres angélicos dividem-se em três ordens e possuem nove nomes. A primeira ordem rodeia a Deus de modo permanente e está unida a Ele constantemente. Ela está em primeiro lugar e não possui qualquer mediação: são os Tronos santíssimos e os batalhões notáveis por seus números de olhos e de asas que recebem os nomes de Querubins e Serafins. Eles têm uma proximidade de Deus superior a todos os outros. Essa ordem de três batalhões formam uma só e constitui a primeira hierarquia de nível igual. A segunda ordem compõe-se de Virtudes, Dominações e Potestades constituindo a segunda hierarquia. A terceira ordem constitui a última hierarquia celeste. É a ordem dos Anjos, Arcanjos e Principados.
Os relatos de contatos entre essas ordens superiores e a humanidade são frequentes ao longo da Bíblia. Lembremos que os relatos evangélicos são inaugurados precisamente por uma aparição de um ser espiritual a uma humana - no caso, São Gabriel a Maria.
Tratando-se de seres próximos ao Princípio Divino, pode-se deduzir que sua aparição deverá ser acompanhada de uma misteriosa e profundíssima numinosidade. Espetáculos sensoriais, cores vibrantes, piruetas pelos céus - nada disso em si caracteriza uma aparição desse nível. Deve haver algo que, a partir do centro mesmo do nosso ser, possamos reconhecer como divino.
Aqui, a meu ver, está o erro de Jacques Vallée. Há aparições e aparições, porque há, para além do nosso mundo físico, muitos outros mundos, de muitas outras ordens. Uma aparição como a de Guadalupe - repleta de mistérios simbólicos e de uma numinosidade pulsante - difere radicalmente da aparição vulgar de um grey abdutor por uma razão muito simples: no primeiro caso, a origem são os mundos superiores; no segundo, algum mundo que, embora invisível a nós, é grosseiro e muito, mas muito distante do divino.
O Cristianismo, talvez com razão, optou historicamente por não gastar muita energia investigando os mundos intermediários ou inferiores. Sua solução pragmática foi mesmo partir da desconfiança. O misterioso é tomado como diabólico, até que se prove o contrário.
Isso tem um lado bom e um lado ruim. O lado bom é óbvio: é uma abordagem que garante proteção contra influências malévolas. Por que devo perder tempo e dar atenção a alguma aparição misteriosa se não sei, e nem tenho condições por mim mesmo de saber, se se trata de algo bom ou algo ruim? Melhor mesmo, na imensa maioria dos casos, deixar para lá e ficar com o que é seguro.
O lado ruim: há aparições legítimas. Sempre houve e sempre haverá. E, se seres de tão elevada estatura decidem falar conosco, é óbvio que querem ser ouvidos. Não querem que hierarquias eclesiásticas mundanas, mesmo com as melhores das intenções, rechacem suas mensagens.
De qualquer forma, o fato é que, provavelmente por essa abordagem desconfiada e centrada na segurança do Cristianismo - ocidental e oriental, diga-se -, há, entre os cristãos, pouco material que permita um discernimento mais acurado em relação a mundos outros, invisíveis e abaixo dos angelicais. Neste terreno, podemos encontrar algo em pensadores ocidentais ocultistas. Mas me parece mais seguro - muito mais seguro - voltarmo-nos a outras tradições de sabedoria, em que também há muito material sobre tudo isso.
Sri Aurobindo, um dos mais interessantes pensadores hindus recentes, por exemplo, escreveu em seu livro sobre os Vedas:
O Divino construiu este universo num complexo sistema de mundos que encontramos tanto dentro de nós quanto fora, subjetivamente apreendidos e objetivamente percebidos. É uma escala ascendente de terras e céus; é uma corrente de águas diversas; é uma Luz de sete raios, ou de oito ou nove ou dez; é uma Colina de muitos planaltos. Os videntes frequentemente a representam numa série de tríades; há três terras e três céus. Mais ainda, há um mundo tríplice abaixo — Céu, Terra e a região intermédia entre eles; um mundo tríplice no meio, os céus resplandecentes do Sol; um mundo tríplice acima, as supremas e arrebatadoras moradas do Divino.
Um pouco à frente, faz o seguinte esquema sobre os mundos existentes e os princípios que lhes são subjacentes:
Também distingue, em outra página, três céus e três terras entre os mundo inferiores, entre os quais há uma religão intermediária:
Veja-se que podemos pensar nas hierarquias angélicas - embora esse tipo de correspondência seja sempre difícil - como existentes nos mundos superiores (provavelmente a melhor correspondência os ligaria à região do “Link-World - Supermind”, ou talvez aos três céus dos mundos inferiores, e não ao triplo mundo divino, porque mesmo as mais altas hierarquias angélicas são ainda criaturas). Abaixo, porém, há também uma multiplicidade de mundos, com seus seres próprios, alguns ainda mais distantes do reino divino do que nós - e que são mundos a nós invisíveis.
Nas doutrinas tradicionais, é comum que se faça a distinção entre os planos espiritual, psíquico (ou “astral” etc.) e terreno: trata-se de uma extensão da conhecida divisão nous-psique-soma. O ser humano carrega em si mesmo os três planos, ao menos potencialmente. Ao mesmo tempo, também existem os três planos como reinos ou mundos próprios, com seus seres, sua dimensão espacial, sua temporalidade, seus eventos.
No plano do nous, ou espírito, há abertura a Deus. Por isso, quando se fala sobre a capacidade noética do ser humano - sua potência à abertura espiritual a Deus -, fala-se no que há de mais elevado em nós. O nous é, para muitos, o ápice da alma. Para outros, é de qualidade diferente, única, e a missão de todo ser humano sobre a Terra consiste fundamentalmente em realizar o próprio nous, ou encarnar na própria vida o princípio espiritual-divino que carrega no mais íntimo de seu coração.
As manifestações concretas de seres vindos desses mundos superiores, espirituais, são, portanto e como dito acima, em si mesmas benignas. Quando São Gabriel aparece a Maria, ou quando Maria aparece a Juan Diego no monte Tepeyac, temos a irrupção no plano terrestre de mundos superiores, e o bom discernimento há de levar à conclusão de que se trata de algo bom.
Por outro lado, quando vamos para os mundos psíquicos, as coisas se tornam muito mais confusas.
Sri Aurobindo chama especial atenção ao que denomina mundos vitais - que correspondem justamente aos mundos psíquicos na tripartição tradicional:
O mundo físico não é o único; há outros dos quais nos tornamos conscientes através de registros oníricos, através dos sentidos sutis, através de influências e contatos, através da imaginação, intuição e visão. Há mundos de uma vida mais ampla e mais sutil que a nossa, mundos vitais; mundos nos quais a Mente edifica suas próprias formas e figuras, mundos mentais; e outros acima, com os quais temos pouco contato. […] O mundo vital é, de um lado, um mundo de beleza — o poeta, o artista, o músico estão em estreito contato com ele; é também um mundo de poderes e paixões, concupiscências e desejos — nossas próprias concupiscências e desejos, e paixões e ambições podem colocar-nos em conexão com os mundos vitais e suas forças e seres. É, ainda, um mundo de coisas sombrias, perigosas e horríveis.
Veja-se como há grande semelhança em relação à descrição que Charles Upton faz do mundo psíquico:
O plano psíquico ou intermediário é o mundo da subjetividade; o plano Espiritual é a objetividade mesma. Assim como o mundo psíquico é superior ao mundo material e o abrange, também o Espírito é superior tanto à psique quanto à matéria, e os abrange. O mundo psíquico é constituído de crenças, percepções, impressões, experiências; o mundo Espiritual é composto de certezas — de coisas que são verdadeiras ainda que não estejamos certos delas. Quando o poeta da Geração Beat Lew Welch disse: "Busco a união com aquilo que se dá quer eu o observe ou não", ele postulava o nível do Espírito. O plano psíquico é relativamente objetivo no sentido de que não está encerrado dentro da psique individual; como Jung demonstrou, ele possui também um aspecto coletivo. Essa coletividade não se limita, porém, a uma subjetividade humana de massa ou "inconsciente coletivo"; ela hospeda igualmente muitas classes de seres não humanos, incluindo aqueles que os gregos chamavam de daimones, os europeus do Norte, de Fadas, e os árabes, de Gênios (Jinn). Ela carrega nada menos que as impressões das experiências de todos os seres sencientes.
Neste ponto, a terminologia empregada por Upton me parece de enorme valor. Pois, de fato, se o cristão fala em demônios - em conotação apenas negativa -, os gregos falavam em daimones, de conotação a princípio neutra, intercambiável, refererindo-se a seres cuja influência pode ser benigna, neutra ou maligna.
Não se trata, note-se bem, de seres vindos dos mundos superiores, espirituais - estes, invariavelmente bons, porque próximos (ainda que em diversas gradações) ao divino. Mas os daimones - cuja correspondência bastante próxima no Islã remete aos jinn, os “gênios” de contos e mitologias -, pertencentes que são aos mundos intermediários, psíquicos ou vitais (na terminologia de Aurobindo), estão no terreno das coisas relativas; e, portanto, assim como nós, se fazem primordialmente de uma mistura de inflexões boas e más.
Isso nos afasta um pouco daquela visão cristã mais enfática sobre demônios. Mas notemos bem: nos afasta um pouco, mas não muito. As grandes tradições de todos os tempos desencorajam contatos com seres desses reinos intermediários, e a razão, embora mais complexa do que uma condenação pura e simples, não leva a resultados muito diferentes dos cristãos. Se o cristão parte da condenação - não devemos nos aproximar porque são demoníacos -, outras doutrinas tradicionais partem da desconfiança: não devemos nos aproximar porque… bem, porque não podemos saber se esses seres têm boas ou más intenções, nem se sua eventual aparente bondade é de fato bondade ou apenas disfarce, ilusão, ardil…
Outra camada de análise se refere à capacidade de comunicação entre tais mundos e o nosso.
Claro que eventual comunicação sempre foi exceção, e não regra. Algumas pessoas específicas tiveram, no curso dos tempos, contato eventual com seres de outros planos, mas sempre foram poucas, e os contatos sempre foram escassos. Em regra, o que se vê é a incomunicabilidade entre os mundos, de modo que este plano material se mantém razoavelmente protegido - para o bem e para o mal - de influências vindas de outras dimensões da existência (ao menos de influências ostensivas; influências sutis, se tivermos em mente o que as tradições ensinam, sempre existiram).
O que acontece com os fenômenos ufológicos é que se trata de manifestações com algum grau de estabilidade. Não estabilidade completa: o mais comum é que os relatos sejam no sentido de que os objetos desafiam as leis da física, aparecem e desaparecem etc. Mas parece tratarem-se de fenômenos que tendem à estabilidade ou que ao menos almejam a estabilidade.
Na palestra que mencionei acima, proferida na City University of New York, a palestrante Leslie Kean - uma importante jornalista que há mais de 20 anos investiga o fenômeno (e que foi responsável pela matéria do New York Times de 2017 que citei acima) - diz (a partir de 1h42 de vídeo, aproximadamente):
É realmente fascinante ver como o estudo dos UAPs se volta também para questões sobre a consciência e até mesmo sobre a espiritualidade. Quero dizer, porque há muito mais no fenômeno do que aquilo de que falei, que é a parte mais concreta, o que chamamos de “porcas e parafusos”, a fisicalidade dele. […]
Os UFOs parecem possuir tanto uma dimensão material ou física quanto uma dimensão mental ou espiritual. O fenômeno claramente viola nossas maneiras atuais de dividir a realidade em mente e matéria. Continuo a pensar que essa não dualidade fundamental é seu poder e sua provocação derradeiros.
Aliás, pesquisando um pouco mais sobre Leslie Kean, encontrei a seguinte entrevista em que ela fala sobre manifestações materiais de entidades de outros planos, basicamente atestando a veracidade de muitos relatos espíritas sobre ectoplasma (uma estranha substância que permitiria o fenômeno da materialização, mas sempre de forma instável e por períodos curtos) e afins:
Não é muito dificil notar que há um cruzamento bem claro entre fenômenos ufológicos e espíritas.
Tomemos esses relatos a sério, como temos feito até aqui. Dois pontos se destacam: (i) os fenômenos parecem mesclar matéria física e substância sutil; (ii) as manifestações materiais são instáveis, efêmeras, como se a materialidade não fosse a natureza própria dessas realidades, mas algo que elas “vestem” temporariamente com a finalidade específica de se manifestar por aqui durante algum tempo.
Ou seja: são muitos indícios que apontam para o mesmo fato de que tais seres, bem como suas naves, são primordialmente de natureza sutil-psíquica e apenas secundariamente materiais - o que mais uma vez nos leva à mesma conclusão de que se trata de fenômenos do reino psíquico buscando alguma forma de manifestação material, em nosso plano - o que, porém, apenas seguem conseguindo de forma limitada e oscilante.
Upton escreveu:
Quando considerei a informação fornecida por Jacques Vallée de que o fenômeno OVNI é físico e psíquico e também, por vezes, um produto de engano humano, simplesmente extraí uma inferência lógica: que, se ele é ao mesmo tempo psíquico e físico, bem poderia ser uma materialização (em geral efêmera) de realidades psíquicas sob a forma de objetos e eventos físicos.
Uma hipótese que me permito lançar é: não podem ser essas naves e esses corpos materiais frutos de algum tipo de desenvolvimento tecnológico empreendido em outro plano (provavelmente contando com algum tipo de colaboração neste nosso plano) cujo fim é justamente permitir, com maior estabilidade e constância do que meras “aparições”, uma presença mais prolongada de tais seres entre nós?
Aurobindo diz:
No máximo podemos dizer que a existência de algo no plano vital, no físico sutil ou em qualquer outro plano cria uma possibilidade de um movimento correspondente de manifestação no mundo físico. Mas algo mais é necessário para converter essa possibilidade estática ou latente numa potencialidade dinâmica ou num impulso efetivo rumo a uma criação material. Esse algo pode ser um chamado vindo do plano material, p. ex., alguma força ou alguém na existência física que entra em contato com um poder ou mundo suprafísico, ou com parte dele, e é movido a fazê-lo descer à vida terrena. Ou pode ser um impulso no próprio plano vital ou em outro plano, p. ex., um ser vital movido a estender sua ação em direção à terra e a estabelecer ali um reino para si mesmo ou o jogo das forças que ele representa em seu próprio domínio.
Se for esse o caso - ou seja: se seres do mundo psíquico estiverem empreendendo esforços concretos para se manifestar estavelmente aqui em nossas bandas, contando para isso com o suporte de agentes mediúnicos -, outras questões naturalmente surgem. A primeira, mais natural: por quê? Desejam fazer isso apenas por curiosidade, para explorar outras formas de vida e outros reinos? Desejam algum tipo de dominação sobre nós, ou querem nos explorar por algum meio que nos é desconhecido e oculto? Teríamos nós, aqui, algo de que eles precisam para levar a cabo seus fins, que a nós seguirá desconhecido? Ou seriam apenas seres benevolentes cujo objetivo é nos trazer tecnologias novas, garantir a preservação da natureza terrestre e desarmar todas as nossas bombas nucleares?
Eu, neste ponto, admito minha ignorância profunda. Não sei quais são as razões, e não posso descartar que sejam razões boas. Mas não posso evitar lembrar novamente que uma característica do reino psíquico é que ali vivem seres que não são divinos. Estamos - recorde-se - tratando de um reino intermediário, feito de seres que talvez se inclinem para o bem, talvez se inclinem para o mal, mas cujo traço central é a imprevisibilidade, a volatilidade - o reino que vai desde a maravilhosa criatividade dos poetas às forças mais baixas da violência e da luxúria. É por um lado - relembremos as palavras de Aurobindo - “um mundo de beleza — o poeta, o artista, o músico estão em estreito contato com ele; é também um mundo de poderes e paixões, concupiscências e desejos — nossas próprias concupiscências e desejos, e paixões e ambições podem colocar-nos em conexão com os mundos vitais e suas forças e seres. É, ainda, um mundo de coisas sombrias, perigosas e horríveis”.
E estamos falando de seres que, como dizia Porfírio - em passagem citada por São Tomas na Suma contra os Gentios - “que tomam todas as formas simulando serem deuses, demônios e almas dos defuntos” (aliás, pensamento similar está na base de toda a crítica de René Guénon ao espiritismo, mas esse é um assunto que, embora muito ligado ao presente, deve ser desenvolvido em texto próprio). Seres, note-se, capazes de assumir formas concretas diversas no mundo material, a depender do fim a que se destinam. Aurobindo, em sentido próximo, também alerta contra as seduções desses seres capazes de “sinais e maravilhas que, se possível, enganariam até os escolhidos” (Mt 24:24):
Nenhuma confiança se pode depositar na beleza dos olhos ou do rosto. Há muitos Seres dos planos inferiores que possuem uma beleza cativante e podem enfeitiçar com ela, e podem propiciar também uma Beatitude (Ananda) ilusória e pode, ao contrário, por seu engodo, desviar inteiramente do caminho. É necessário manter os próprios passos firmes na estrada reta rumo ao Supremo.1
De fato, é difícil ao menos não partir da desconfiança nesses assuntos. Profundíssima desconfiança.
Seja como for, o fato inquestionável me parece ser o seguinte: toda a narrativa atual sobre UFOs é sintoma - e símbolo - de um momento histórico em que o paradigma científico-materialista-positivista é posto severamente em xeque.
Ainda vemos defensores sérios da ciência ocidental-iluminista. No Brasil, o mais famoso exemplo é nosso conhecido e carismático Sergio Sacani, feliz por ter desmascarado o caso Mayk Leão (será?). Mas parece mesmo que, mais e mais, esse paradigma perderá espaço, e a crescente onda de avivamento dos temas ufológicos em espaço público é simbólico e sintomático dessa transição.
René Guénon vale ser citado aqui. Em O Reino da Quantidade e os Sinais dos Tempos - livro a um só tempo profundamente esclarecedor e profundamente perturbador -, Guénon traz aquela que talvez seja sua mais conhecida tese: o mundo passou por um longo processo de solidificação (fundamentalmente o materialismo científico-iluminista), mas chegaria o momento em que as “paredes” sólidas do mundo se tornariam tão rígidas que fissuras começariam a aparecer. Defende que tais fissuras levariam a uma permeabilidade não aos reinos espirituais, acima, mas aos reinos inferiores - justamente o mundo psíquico. Esse seria, diz Guénon, o paroxismo do mergulho no polo da quantidade, que haveria de trazer o espetáculo da contra-iniciação.
Se ele estiver certo, torna-se uma lente poderosa para a interpretação dos fenômenos ufológicos. Por séculos, nosso mundo terreno manteve-se relativamente impermeável às influências sutis; agora, avançando os séculos e distanciando-se mais e mais o ser humano do polo superior - o único verdadeiramente espiritual -, criaram-se as condições propícias paras que os reinos intermediários tenham maior acesso ao nosso plano.
É uma boa hipótese.
Para mim, o discernimento deve ter critérios claros. E razoavelmente simples:
Caso os tais seres reafirmarem verdades sempre tidas como inquestionáveis pelas grandes tradições do mundo em geral, e pelo Cristianismo em particular, minha desconfiança inicial deverá ceder. Por verdades inquestionáveis me refiro a coisas como: o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus; nossa natureza pode e deve ser aperfeiçoada pelo caminho ascético e místico; o homem pode elevar-se e aproximar-se mais e mais de Deus, mas jamais abandonará sua natureza humana, ainda que esta possa ser enormemente aperfeiçoada; não há caminho em direção a Deus que não passe por autoconhecimento, redirecionamento das paixões mais baixas para o alto e abandono de seduções materialistas e hedonistas; etc.
Caso os tais seres apontem a caminho oposto, a desconfiança deverá transmutar-se em combate. Por caminho oposto, me refiro a coisas como: enormes ganhos materiais andando lado a lado com denúncia das religiões tradicionais como ‘superstições’; qualquer forma de depreciação ou relativização do valor da natureza humana tal como é; promessa de aperfeiçoamento humano por meios tecnológicos e científicos (transhumanismo, geneticistmo etc.); incentivo a prazeres mundanos e pulsionais, desprezando caminhos ascéticos; etc.
Se formos resumir: trata-se do discernimento essencial entre os caminhos que levam à theosis e os que levam ao transhumanismo, como argumentei em texto recente.
De tudo o que escrevi, deixo, a fim de condensar o argumento, algumas conclusões sintéticas:
Entre todas as explicações para os fenômenos ufológicos, a hipótese de que se trata de seres vindos de planetas materiais muitíssimo distantes é a mais improvável, embora não de todo impossível;
Muitos fenômenos ditos ufológicos são provavelmente tecnologias humanas desconhecidas e mantidas sob sigilo (caso dos fenômenos somente materiais);
Os fenômenos ufológicos mais inexplicáveis e misteriosos - ou seja: aqueles que parecem originar-se de uma estranha mescla entre matéria e substâncias sutis, e que desafiam leis básicas da física - são provavelmente, como diz Jacques Vallée, fenômenos interdimensionais;
Para a compreensão efetiva sobre essas tais outras dimensões de onde vêm os misteriosos seres e suas não menos misteriosas naves, parece enormemente necessário investigar novamente a cosmovisão das grandes tradições da sabedoria humana, que atestam a existência de reinos divinos e de reinos psíquicos-intermediários, compreendendo a profundíssima diferença entre ambos (afinal, a partir do instante em que se perde a ideia de que há diferentes gradações de reinos invisíveis, torna-se muito fácil que um ser de um reino intermediário se passe por divino);
É necessário, ainda, abrir-se à hipótese concreta de que as manifestações ufológicas mais misteriosas tenham origem justamente nos reinos psíquicos-intermediários;
Embora seja simplório afirmar peremptoriamente que os seres dos reinos psíquico-intermediários sejam diabólicos, no sentido cristão do termo, é possível afirmar que se trata de seres altamente versados na arte da ilusão, de maneira que a abordagem a priori desconfiada é a mais prudente;
Para além de um olhar renovado para as antigas tradições e suas lições atemporais sobre os reinos intermediários, ainda será imprescindível ao ser humano que desenvolva a também atemporal arte do discernimento, separando os caminhos que sempre levaram e sempre levarão a Deus de suas contrafações ilusórias, por mais sedutoras que estas possam ser.
Por fim, mas não menos importante: forte é a chance de que esse disclosure prometido não venha - ao menos não em breve -, e permaneçamos ainda por muito tempo neste estranho limbo, com ameaças de revelações, relatos sempre inconclusivos, disputa entre os céticos e os que “querem acreditar” etc.
Neste caso, se me for permitido um conselho, diria que não se deve dar muita atenção a esse tipo de coisa, pela razão simples de que, quando olhamos para o abismo, o abismo nos olha de volta.
Não que devamos evitar em absoluto o abismo. Parte da jornada está seguramente em confrontar o mal - lá fora e sobretudo em nós mesmos. Mas a caminhada, embora passe pelo reconhecimento profundo do mal, deve avançar. O mal, por ‘ser o não-ser’, nos impede que sejamos. Tratei disso num texto antigo aqui (e que segue sendo um dos meus favoritos), e ali escrevi:
Cristo, diante do mal, entregou-se na plenitude de seu amor. Não negou o mal; pelo contrário, encarou-o de frente. Mas, a certa altura, seus olhos já não podiam estar no mal, mas além. Quando olhamos para o abismo, ele nos olha de volta. Devemos encará-lo, sim - até a página quinze. Depois, se quisermos seguir em frente, devemos olhar além. E, além, está a contemplação das verdades luminosas - Via Iluminativa, diriam os cristãos - e está, por fim, a união com as verdades luminosas - Via Unitiva.4 Se é verdade que, quando encaramos o abismo, ele nos olha de volta, também é verdade que, quando contemplamos o Bem, Ele nos contempla de volta.
Ter consciência do tema - deste e de tantos outros que flertam com dimensões sombrias da existência -, a partir de uma abordagem crítica, é ótimo. Mas, nesses terrenos, é muito fácil nos perdermos. Noutros casos, podemos nos perder pela contemplação excessiva da ganância ou da luxúria, por exemplo. Neste caso, provavelmente a chance maior é que nos percamos pelo medo. E o medo não é apenas paralisante, mas talvez se trate da mais poderosa arma que nos leva ao caos e à miséria de uma vida à qual falta coragem para seguir seu destino.
Vale, ainda, o que mencionei no último texto: os lugares aonde direcionamos nossa consciência importam. Talvez certas realidades apenas ganhem força porque lhes damos atenção imerecida. Pedro, enquanto mantém o olhar fixo em Jesus sobre as águas, é capaz de milagres. Quando seu olhar se desvia e vai para baixo, para as profundezas das águas agitadas pela tempestade, o medo toma conta. É apenas então que submerge.
Há reinos divinos, acima - infinitamente acima - dos miseráveis reinos intermediários. Tornamo-nos o que contemplamos. Na jornada do espírito, os olhos devem se manter, tanto quanto nos for possível, mirando as coisas do alto.
Citação extraída deste bom texto sobre o tema: https://substack.com/@bernhardguenther/p-196944446












Tema tão interessante quanto pantanoso, e talvez o único em que o cidadão médio se permita uma ou outra teoria da conspiração. Por coincidência vi um vídeo do Jay Dyer recentemente tratando sobre o filme "contatos imediatos..." em que ele elabora uma convincente tese de que os aliens são demônios, baseado na ideia de que em muitos filmes de hollywood feitos pelos principais diretores (kubrick, spielberg) os alienígenas são apresentados como seres de luz que tentam unir os humanos num governo mundial pacífico. Veja o "anjo" benevolente de 2001 que destrói o arsenal nuclear, ou os "anjos" extraterresteres do filme "knowing" que levam as crianças embora para um "novo céu e nova terra", muito à maneira de "o fim da infância". O próprio filme em questão "disclosure day" mostra a inteligência alienígena como "possuindo" seres humanos. Em teoria isso poderia preparar o terreno para os "falsos Cristos" do fim dos tempos, enfim, especulação mas nada improvável. Há uma outra possibilidade materialista explorada pelo Mark Bisone, um dos autores mais originais (e malucos) do substack.
https://markbisone.substack.com/p/devil-worshipping-aliens-from-dimension?r=3j9yq1&utm_campaign=post&utm_medium=web
Últimas observações: Ronald Reagan chegou a dizer que uma ameaça extraterrestre poderia nos fazer deixar as diferenças de lado; Spielberg disse que o seu filme poderia abalar a fé de algund cristãos e Obama, recentemente, afirmou que a descoberta da existência de aliens poderia abrir caminho para o surgimento de "novas religiões".
Eu parto do pressuposto de que tudo é psyop, então fico triplamente desconfiado, embora não duvide completamente da veracidade dos relatos.
Pena que Aurobindo quase não fale de Bila-Svarga, os sete mundos inferiores localizados abaixo de nossa superfície: Atala, Vitala, Sutala, Talatala, Mahatala, Rasatala e Patala. Os Puranas dizem que são habitados por asuras, daityas, danavas e nagas, criaturas não humanas, ou, usando o termo da moda, NHI. Dado que esses reinos subterrâneos habitados por seres não-humanos teriam tecnologia avançada, magia e riquezas, seus meios de transporte poderiam ser muito bem o que conhecemos como fenômeno UFO/UAP. Poderíamos até ir mais além e dizer que as tecnologias exóticas possuídas pelo deep state americano - os UFO daqui mesmo - foram obtidas a partir de "trocas" com esses seres, mas aí seria a seara da conspiração já. O objeto de tais trocas seria o que os caracterizaria, esses "outros", como demoníacos, com ações malévolas para conosco, humanos. Enfim, digressões a partir de seu ótimo artigo, Bruno.